Navegando no inconsciente



Temos em nós um mar revolto! Por maior que seja a serenidade que externamos, a nossa mente não conhece a mansidão. O inconsciente é tal qual um buraco negro onde nos perdemos facilmente. Não se trata apenas de um lugar em nós onde a razão não tem acesso, um lugar intangível, onde guardamos nossas emoções e outros conteúdos mentais. Neste ambiente, também estão inseridas as nossas memórias reprimidas e/ou esquecidas, nossas intuições e nossas sensações.

 Não podemos desconsiderar que o inconsciente possui autonomia sobre nós. Mesmo que não queiramos, a sua intervenção sempre está em constante comunicação com o nosso consciente. Às vezes, ou melhor, quase sempre, até nos governa sem que venhamos perceber, trazendo à baila as investidas do Id.
O inconsciente é o grande pilar dos estudos psicanalíticos. Em sentido objetivo, não seria possível a existência da Psicanálise sem o seu principal e essencial objeto. Ele é o grande responsável pelas dores da psique humana, que são advindas da sua subjetiva existência. Freud considera que o sonho é a vida real do inconsciente. O psicanalista ao buscar tratar as neuroses, toma como partida a análise e interpretação das forças inconscientes que se manifestam através dos atos falhos, sonhos, histeria, Complexo de Édipo, traumas, recalques e outras tantas linguagens. Utilizadas para tornar a nossa vida mais confusa, divertida, dinâmica ou torturante. Suas técnicas podem variar, a associação livre é um dos seus principais, talvez o mais eficaz, recurso.

                Já dizia o poeta: “Navegar é preciso”. Navegar e investigar o inconsciente é uma forma de tentarmos tomar as rédeas da nossa conduta social, moral e conhecimento de si mesmo. Embora o conhecimento pleno jamais possa ser desvendado. Desta indagação a Filosofia sabe comungar muito bem. “Conhece-te a ti mesmo.”, já dizia Sócrates, incentivando-nos ao movimento, a busca da Sofia, para que nunca venhamos nos estagnar. 

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-Carlos Conrado

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